A pandemia pode trazer crise imobiliária nos EUA?



Estudo do MAPC, da Região Metropolitana de Boston, aponta dados preocupantes

A crise mundial causada pelo novo coronavírus, o Covid-19, fez com que mais de um milhão de pessoas, em Massachusetts, estado dos Estados Unidos, perdessem seus empregos, desde o início do mês de março. Os mais atingidos foram os trabalhadores de áreas como vendas, escritórios preparação, que já contavam com salários baixos.

Se a crise ainda persistir durante o verão, acredita-se que mais de 178 mil famílias no estado americano não conseguirão fazer os pagamentos tanto das suas hipotecas, quanto de seus aluguéis, de acordo com pesquisas recentes realizadas pelo Conselho de Planejamento da Área Metropolitana, chamado em sua sigla de MAPC, baseado em Boston.



Os pedidos de seguro-desemprego só vêm aumentando semanalmente e foi com base nestes dados que o MAPC mapeou os efeitos do desemprego. Só no estado de Massachusetts foram mais de 777 mil pedidos do benefício padrão entre o período de 16 de março a 2 de maio, enquanto que 185 mil trabalhadores prestadores de serviços e autônomos solicitaram a PUA, que quer dizer Assistência ao Desemprego devido à Pandemia, entre os dias 20 de abril e 2 de maio.

De acordo com o estudo realizado pelo MAPC entre os trabalhadores que fizeram o registro e solicitaram os benefícios, a organização revelou alguns pontos. Conheça alguns abaixo:



Problemas no pagamento de hipoteca e aluguéis

Ao final do pagamento do benefício de US$ 1.200 por contribuinte, estima-se que mais de 15.500 residências no estado americano terão dificuldades para pagar a hipoteca ou aluguel, já que também terão de prover outras necessidades mais básicas da família.

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A realidade da crise

Depois que o pagamento deste benefício se encerrar é que virá a crise real, pois as pessoas viverão no desemprego. Acredita-se que mais de 178 mil residências serão afetadas e que contam com crianças, trabalhadores que não são brancos e pessoas que falam um idioma que não seja o inglês.

Moradia de aluguel

Acredita-se que quem mora de aluguel soma 38% de todas as residências no estado de Massachusetts, o que quer dizer que um pouco mais da metade das pessoas que não conseguirão arcar com seus custos de moradia são locatários.

Áreas de trabalho mais afetadas

Soma-se 40% dos pedidos do benefício de seguro-desemprego padrão vindo de pessoas que trabalhavam em áreas como assistente de escritório e de vendas, suporte administrativo, serviço de atendimento ao cliente e preparação de alimentos. Por isso, acredita-se que grande parte da crise imobiliária caia sobre quem é deste segmento.

Quem não tem documento legal

Acredita-se que a situação ficará ainda pior para quem não conta com documentos legais e por conta disso não consegue receber nenhum benefício oferecido pelo governo, apesar de alguns pagarem seus impostos. O número destes trabalhadores chega a ser 5,1% da mão de obra do estado e serão afetados diretamente com redução de salários, demissões e licenças. O MAPC, por meio de seu estudo, acredita que 41 mil trabalhadores que não contam com documentação e perderam o seu trabalho nestes meses de crise, tem grandes chances de ficarem sem casa, com fome e sem direito a alguma forma de assistência do governo.

Custos de moradia

O pagamento do benefício concedido por conta da Pandemia se encerra no final de julho e a organização acredita que 30% das moradias que de alguma forma tiveram seus moradores afetados pela demissão ainda precisarão de alguma assistência financeira extra para pagar os gastos.

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Ordem de despejo

Ainda que as pessoas contem com as medidas do governador que não deixa que execuções hipotecárias e despejos sejam realizados mesmo após um mês após o término do estão de emergência, acredita-se que tanto a diferença de renda, quanto o desemprego mostram um sentimento tanto de crise imobiliária, quanto geral de incerteza e insegurança econômica para o dia de amanhã.

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